este bem podia ser o blog de um jovem rapaz que acha que já não tem mais nada que escrever – i.e., que não já se consegue salvar. Como tal devia ser um blog inútil, ninguém se interessa por estas merdas. ninguém se interessa por saber que se sente todos os dias um desespero horrível de ver uma chama que existia e que ardia sempre intensamente que fazia de mim algodiferente a a apagar-se e a extinguir-se ao longo dos dias, com a crueldade de não ter tido qualquer razão para o ter feito.
as ideias parecem ser só ideias, enquanto as tenho ao longo dos dias. esta, aquela, aquilo e sobre a outra cena que tinha pensado antes há uns dias. são só ideias, agora, que as sinto nascer, e mais nada. nascem e passados uns dias morrem como se nunca tivessem existido. presas na minha cabeça qualquer. as supernovas desapareceram. o tigre azul aninhou-se no seu covil, à espera que eu finalmente conte a história da mina e siga com as coisas (situada temporalmente no século XIX). está neste momento a dormir. desiludido comigo, e estas merdas não lhe interessam de ualquer maneira. o (s?) hipopótamo (s?) parace(m?) uma memória distante, e desvanece-se para o rosa e o branco, já não podendo magoar ninguém. é verdade que a escrita por vezes pode aterrorizar…
a mim aterroriza-me talvez a falta dela. este podia ser um blog desse rapaz que perdeu os seus poderes que o faziam sentir que não era apenas mais qualquer coisa indivisível no meio de um comboio às manhãs para ir para a capital, e depois da sua redescoberta por algum meio especial que o fizesse recuperar tudo o que tinh recuperado, com ainda mais vigor e força, magia e singularidade.
mas a ideia, como todas as minhas outras ideias, fica incompleta, e inacabada na folha, ou no documento word que não se grava.
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